quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Ao ver Vieira da Silva...

...na Assembleia, é inevitável pensar que algo vai mal na condução política do PS neste debate das escutas. Como é possível que Aguiar Branco, teórico da legitimidade de qualquer escuta feita a titulares de cargos públicos, ou que Jerónimo de Sousa, defensor da manutenção sem prazo de escutas ilegais «não vão elas dar jeito para qualquer outra coisa», não estejam a dar explicações? Já nem falo de Pacheco Pereira ou de Ferreira Leite, casos já demasiado expostos. O problema parece estar mesmo na condução politica de tuo isto pelo PS, como aliás sucede também na reacção à coligação negativa. Vale mais o foguetório do festejo junto ao Tejo?
Carlos Leone

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Paulo Ferreira: Lacrimosa

Um artigo de opinião nasce por vezes de um assunto fortuito, simples o bastante para não passar de mero pormenor, mas importuno o suficiente para desencadear uma reflexão. Sucede que ontem recebi na minha caixa de correio electrónico um ficheiro power point, daqueles habituais que circulam por aí, versando a biografia e sobretudo, a morte do Rei de Portugal, D. Carlos I. O mail, sob o título "D. Carlos (Lacrimosa)” é composto de fotografias, música (de Mozart) e algum texto, terminando com a seguinte mensagem:
"Dois anos depois, a Maçonaria derrubava a Monarquia Constitucional e proclamava a República. Desde então ninguém perguntou aos portugueses em que regime queriam viver."

Pareceu-me bom ensejo para alguns comentários, quando faltam apenas 5 semanas para a entrada no ano das comemorações do centenário da República.

A propósito da pretensão ali implícita de realização de um referendo acerca do regime político, correspondente aliás a uma proposta amiúde formulada pelos defensores da causa monárquica, merecerá a pena recordar alguns factos:

1º - Não foi o regicídio de 1908 que instaurou a república. Efectivamente, em 1910, Portugal tinha um monarca reinante, D. Manuel II. Outro regicídio, o de D. João VI, que recentes provas forenses revelaram ter morrido envenenado, não levou à queda do regime, tal como o assassinato do Presidente Sidónio Pais não fez retornar à monarquia. O que provocou a mudança de regime foi o estado de degradação do país e a falta de credibilidade da monarquia para resolver os problemas com que o Portugal do início do séc. XX se defrontava.

2º - A realização do referendo de regime, que até parece soar bem à normal sensibilidade democrática, seria, porém, algo de praticamente inédito. Aliás, com excepção do exemplo habitualmente citado, da Austrália em 1999, tanto quanto consegui apurar nenhuma monarquia no poder se submeteu a tal prova de legitimidade. E convém salvar as devidas proporções: a implantação do partido monárquico em Portugal não tem termo de comparação com o peso político que o partido republicano Labor, actualmente no poder, alcançou na Austrália, sem falar em outros partidos como os Australian Democrats e os Australian Greens, também defensores do republicanismo.

Portugal é hoje uma república consolidada, onde vigoram a liberdade de expressão e o respeito pelas minorias. A comprová-lo, o respeito e a estima com que o pretendente ao trono, D. Duarte Nuno de Bragança tem contado por parte das instituições do Estado e do povo republicano.

A Monarquia portuguesa dispôs de uma existência de quase oito séculos. Possa também a República Portuguesa prosseguir por outros tantos, no sentido do seu aperfeiçoamento, extraindo as suas próprias lições da História e dando provas dos seus melhores méritos, que são os de todos os que devotam o seu amor à egrégia pátria lusitana.

Viva a República!
Viva Portugal!

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Abril em Novembro

Como é normal, mais um 25 de Novembro deu origem a mais peças jornalísticas e mais declarações, a mais memórias e mais controvérsias, sobre o que sucedeu ou não em 1975. Como que a complementar a brincadeira do 5 de Outubro, os Vader's do 31 da Armada resolveram fazer outra acção de autopromoção, repetindo o que já fizeram no mês passado: contradizendo-se. Tal como a acção do 5 de Outubro adoptava o ritual republicano (desde logo, no cenário escolhido), sem propor nada de novo à «causa monárquica», agora repete-se a litania do 25 de Novembro como verdadeira data da democracia, sem pensar na simples possibilidade desta.
Sucede que mesmo na confusão revolucionária não custa discernir o que foi condicionante e o que foi condicionado. Sem 25 de Abril de 1974, nenhuma das datas subsequentes seria sequer concebível. Isto aplica-se ao 11 de Março de 1975 tal como ao 25 de Novembro de 1975, por sinal «eventos» de sinal oposto. Goste-se ou não do actual sistema político, e da sua paternidade, a sua data fundadora será sempre o 25 de Abril de 1974, por uma simples questão metodológica. E mesmo aqueles que celebram o 25 de Novembro sabem-no...o máximo que poderiam tentar, na sua reescrita da História, seria trocar o 25 de Abril de 1974 pelo de 1975... Mas não lhes basta, compreensivelmente.
Nada disto é novo, nem nada disto irá desaparecer em breve (pelo contrário, suponho). Como já foi dito aqui, muita falta fazem os cursos da Fundação Res Publica...
Carlos Leone

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Publicidade institucional

Aqui.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Quem tem medo do PS ?

Alguns, como Pedro Adão e Silva, já observaram o evidente: tornou-se normal, dispensando comentário, encontrar, «caso» após «caso», notícias falsas sempre nos mesmos sítios (SOL, Correio da Manhã, Público...), sempre invocando as mesmas origens (judiciárias). Semelhante estado de coisas é já interpretado (sem interesse próprio, claro está) por gente como Pacheco Pereira ou Pedro Lomba, que falam como se a associação livre pudesse passar do divã psicanalítico para a justiça através da fórmula mágica «confiança política». De modo que já dá para tudo: Sócrates, que nunca foi condenado, ou acusado, ou sequer arguido de nada, terá algo em comum com António Preto, um condenado (já transitado em julgado) a caminho de novos julgamentos...Sem dúvida, afirmar que é Sócrates quem tropeça no seu passado  apenas atesta bem a honestidade intelectual de quem o diz.
Chegado a este ponto, apenas uma pergunta. Não é já patente que o crime continuado mais praticado em Portugal é a violação do segredo de Justiça? Na realidade, se os leitores sabem bem da desinformação que lhes querem vender (e deixam de comprar os referidos jornais) e votam em quem querem (não em quem a TVI não quer ou em quem a Presidência apoia), parece estranho que ninguém, de entre os que clamam por palavras deste ou daquele político, se incomode minimamente com a responsabilização dos agentes da Justiça (incluindo Polícia Judiciária) pela fugas constantes de falsa informação. A última vez que ouvi algo nesse sentido (ou a única vez?), foi quando Sampaio, de saída de Belém, convocou de urgência o PGR de então por causa de «noticias» o terem envolvido em mais um escândalo capaz de abalar o regime (vê-se...). Até hoje, o rigoroso e célere inquérito deu em quê?
Talvez por esta(s) pergunta(s) não terem resposta (conhecida), tanto se tenha falado durante este ano de escutas do PS a outros políticos, quando na verdade se vê que era o PS que estava a ser ilegalmente escutado. O que seria caso único, se não se desse o caso de o PS ter sido já o único partido com a sua liderança sob escuta, em 2002. Que se saiba.
Carlos Leone

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Rui Alexandre: O Dilema do Prisioneiro e o PSD

A perspectiva de vitória nas legislativas levou a líder do PSD a formar listas de deputados pouco inclusivas, ao estilo do “se não podes com eles afasta-os”. Não terá sido avisada, a Dr.ª Ferreira Leite, de que a não inclusão de determinados nomes na sua lista, no caso de derrota do PSD, como se veio a confirmar, levantariam uma onda de impacto que dificilmente permitiria que as diferentes facções do PSD se unissem em torno de um projecto comum.

Ferreira Leite não é uma mulher de consensos e por isso desprezou a força dos não-barões do PSD. Importa pois perceber a verdadeira força que esses barões ainda detém no aparelho do partido quando comparada com a vontade de mudança interna.

Marcelo não avança por não haver um consenso entre os seus comparsas. Mas outros também não avançam porque não sabem se Marcelo avança. Ninguém apoia ninguém com receio de estar a apoiar aqueles a quem depois se irá juntar.

E é aqui que entra o Dilema do Prisioneiro. Uns não apoiam os outros para não limitarem a sua própria oportunidade de surgir como solução autónoma. Mas também não se unem porque têm a consciência das limitações e fricções dessa união. E também não desistem porque aí estariam a liquidar por completo a sua oportunidade.

É neste ponto que se encontra o maior partido da oposição. Num dilema há muito explicado pela ciência económica. Estranho é que Ferreira Leite, uma mulher de finanças, ainda não tenha conseguido tirar as necessárias ilações deste dilema gerador de uma hilariante balbúrdia em que anda o seu partido.

Em contrapartida tenta tirar vantagens a partir do aproveitamento político de questões e decisões da justiça, quebrando uma regra constitucional da separação dos poderes entre órgãos soberanos.

De facto, o PSD já percebeu que o seu verdadeiro dilema é terem uma líder prisioneira num túnel em que nenhuma saída será honrosa. Ferreira Leite já percebeu que não só não faz parte da solução como não lhe abriu caminho.

Lamentavelmente o país está numa situação em que cada partido da oposição se tenta posicionar no sentido de tirar o maior número possível de vantagens independentemente da pertinência dessas vantagens para o futuro do país. Noutro campeonato, o PSD, em verdadeira guerra entre barões e plebeus, recorre a estratégias lamentáveis para tentar mostrar aos portugueses que continua a existir, ainda que em estado de desagregação interna.

E o Governo? Esse, apesar dos dilemas da oposição continua o seu desígnio, aquele para que foi mandatado. Avançar Portugal.

Rui Alexandre
Polítólogo

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Acção Socialista: A Importância da Diplomacia Económica no Contexto da Política Externa Portuguesa


terça-feira, 10 de Novembro de 2009

A propósito da Queda (do Muro de Berlim)

Os últimos dias foram preenchidos com notícias e memórias sobre a queda do Muro de Berlim. Raras vezes terá ficado tão explícita a falta de empenho, de compromisso, com a liberdade.  É verdade que os próprios alemães já fazem do assunto um factóide kitsch, com um museu da RDA que parece concebido para insultar a História, a memória e a dignidade. Mas ainda assim custa ver a colectânea de gente (desde Artur Jorge a artistas desconhecidos, passando por vários docentes - maioritariamente universitários - e jornalistas) a falar da «igualdade» na RDA, como fez ontem o Público pela pena irreparável de São José Almeida.

Ler um «filósofo» dizer que as críticas à RDA partem da identificação da liberdade com a liberdade de expressão é grotesco a mais do que um título: como se isso fosse relativizável; como se as restantes liberdades (de movimentação, de opções políticas e pessoais, de propriedade) não fossem cerceadas; como se um regime sustentado por uma polícia política merecesse consideração, e logo de portugueses, nós que não nos cansamos de falar do 25 de Abril para não termos de tratar  dos assuntos de hoje...

No tempo da Guerra Fria, uma piada dizia que a RDA não era nem República, nem Democrática, nem Alemã. As reabilitações póstumas, semi-envergonhadas, da «igualdade» mantida pela STASI e por Moscovo ilustram bem o desconforto de tanta gente que fala em nome da Esquerda com os princípios mais elementares da liberdade. Política e individual. Uma Queda (em sentido cristão e camusiano também), amparada gostosamente, talvez, por uma Cuba Libre. Entretanto, os alemães do ex-Leste, nem querem saber disso e fazem a sua vida, nas últimas duas décadas, em liberdade (na foto, Karl Marx-Stadt, hoje Chemnitz, Maio 2009).

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Desigualdade e Política em Portugal


In Diário de Notícias, 9 de Novembro

domingo, 8 de Novembro de 2009

Carlos Leone: O desafio da luta à corrupção


Disse o PM no debate do Programa de Governo:

“É tempo de instituir na administração e nas empresas públicas verdadeiros códigos de conduta e medidas de prevenção dos riscos de corrupção”. E podia não se ter limitado às empresas públicas, pois as maiores faltas já confirmadas a deveres fiduciários elementares ocorreram em instituições do sector privado.

Mas o ruído actual em torno de um caso de corrupção, além de revelar a manipulação da Justiça para lançar uns nomes para as parangonas e fazer assim passar outros ao esquecimento, deveria fazer-nos pensar não na corrupção de uns quantos mas no país que conhecemos. Ou seja: não tanto nos problemas de agora mas no país de todos. Quem nunca teve oportunidade de combater, ao menos denunciar, faltas graves? Quantos já o fizeram? Da pequena à grande corrupção, certo é que não há em Portugal uma cultura cívica de responsabilização individual e colectiva. Pelo contrário, a autodesculpabilização, o esquecimento voluntário, a relativização de tudo e a comparação do incomparável são a verdadeira regra da nossa vida social. Que o governo deve dar o exemplo, através do sector público, é exacto. Mas quem se interessa na Assembleia da República pela efectiva fiscalização do Executivo? Nem as oposições de Direita, representantes tantas vezes dos beneficiários das maiores corrupções e desigualdades, nem as oposições ditas de Esquerda, apostadas num desgaste permanente das instituições em nome da «rua». Resta o PS...

O reformismo de José Sócrates encontra aqui, na reforma da Justiça (muito mais ampla que o estrito combate à corrupção), o seu verdadeiro desafio. Se ousar agir, sofrerá como nunca. Se evitar actuar, sofreremos como até aqui. Em todo o caso, pela frente estão sempre tempos "sombrios".

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Fernando Montenegro: A Política Externa Nacional - O Eixo de Geometria Variável

É comum afirmar-se em Portugal, dos meios académicos aos responsáveis governamentais, que a Política Externa Portuguesa mantém inalterados, desde a Revolução dos Cravos, três desígnios fundamentais, que constituem uma espécie de “Triângulo Estratégico”: Europa, EUA e Lusofonia, relegando-se depois para último plano o resto do mundo.

Neste sentido, afigura-se que seja talvez chegada a hora de procurar reunir contributos para uma (re)visão que ajuste as relações internacionais do Estado Português à sua vocação universalista e marítima, que permita ao pequeno Estado constituir-se como um actor global, ou pelo menos de tendência/aspiração global. O “Triângulo Estratégico” da Política Externa Nacional Portuguesa ganharia em ser temperado com uma perspectiva mais ambiciosa e, a um só tempo, mais cirúrgica.

Como repetidamente tem afirmado o actual Ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado, existem hoje novas situações que requererem um novo empenho renovado e reclamam capacidades diferentes para antecipar crises e problemas. Agir e não só reagir, procurando, perante cada equação de interesses ou situação concreta, afirmar factores de diferenciação e de valor acrescentado nacional. Importa ganhar uma redobrada mobilidade estratégica para fazer face à globalização e aos novos desafios da Europa e do Mundo.

Comecemos pela Europa. E quando falamos em prioridades da política europeia portuguesa podemos, por razões de sistematização e facilidade analítica, dividi-las em dois tipos de categorias:

Primeiro, as que são prioridades estratégicas de longo prazo e, logo, estruturantes, e que se prendem com os (im)prováveis alargamentos da União Europeia e as negociações das questões financeiras com impacto directo no quadro comunitário de apoio ao desenvolvimento de Portugal: estas questões estão interligadas e só uma visão global das mesmas, devidamente conjugadas, é que nos permitirá assegurar uma cabal defesa dos interesses de Portugal no quadro da União Europeias a 27.

Segundo, os temas que vão sendo propostos pela Comissão Europeia, no exercício do seu poder de iniciativa da União e aos quais temos de estar sempre preparados para responder. Estas matérias podem ser questões sem grandes implicações de fundo para os nossos interesses; mas podem revestir-se do maior relevo político, social e económico para Portugal, com impactos não apenas conjunturais mas eventualmente estruturais.

Por outro lado, e no que se refere às futuras reformas institucionais da União, o nosso país deverá afirmar a sua posição com base no respeito dos seguintes cinco princípios fundamentais:

(i) O princípio da igualdade entre os Estados. Como ensina Adriano Moreira, a praxis internacional mostra-nos que “há Estados mais iguais que outros”, perversão a que importa não dar tréguas;
(ii) O imperativo da coesão económica e social entre os Estados membros;
(iii) A necessidade do equilíbrio interinstitucional, com respeito do actual método comunitário e a recusa de directórios de interesses;
(iv) Uma visão gradualista da construção do edifício europeu;
(v) A urgente e incontornável necessidade de reposição de um elevado nível de confiança entre Estados, severamente afectada desde Nice e agravada pela actual crise internacional.

Evidentemente que existem prioridades na nossa política externa. Eis apenas algumas delas, que, quando prosseguidas de acordo com elevados padrões de sucesso, podem inclusivamente ser parte da Grande Estratégia Nacional – aquelas que o mais leve dos olhares externos põe em relevo:

A nossa participação activa na formulação de consensos e políticas europeias no quadro dos mecanismos da Política Externa e de Segurança Comum (PESC). Para um país com uma política externa de aspiração universal (o que nem sempre é o caso dos países europeus da nossa dimensão), a participação activa nos processos de decisão da PESC é essencial para assegurar a coerência entre as posições europeias e aquilo que nós próprios defendemos, nomeadamente em relação a África, à América Latina e à Ásia;

O reforço da nossa presença na NATO -, no quadro do art.º 5º do Tratado de Washington que é, simultaneamente, uma garantia de solidariedade entre os aliados e uma realidade incontornável e indispensável à nossa própria defesa. Sendo certo, como ensina Pinto Ramalho, que “para se pertencer ao Clube, têm de se pagar as quotas, ou então é-se um estorvo”. A nossa participação na NATO vai a par com dois outros vectores igualmente importantes: o relacionamento preferencial com os Estados Unidos – Relações Transatlânticas, globalmente consideradas -, país como qual partilhamos uma fronteira marítima atlântica, e a proposta de consolidação das capacidades europeias em matéria de segurança e, a longo prazo, de defesa, que são, elas mesmas, um desígnio da própria União Europeia.

Importa conferir uma abordagem renovada às nossas relações com África, com particular incidência nos Países de Língua Oficial Portuguesa, destacando-se entre estas as relações com Angola;

O quadro da CPLP, que importa aproveitar adequadamente, trazendo-lhe maior densidade em múltiplas matérias de cooperação (educação e cultura; segurança social; cooperação técnico-militar, entre outras) de forma a permitir-lhe a visibilidade internacional que entendemos desejável para esta Comunidade;

Mas podemos ir mais longe. É fácil elencar os pontos focais mais óbvios. A procura de soluções que permitam uma prática e um aproveitamento concreto do espaço ibero-americano, dos nossos interfaces com a América Latina e, em especial com o Brasil, país com o qual temos de aprofundar e construir relações globais que ultrapassem os sectores cultural e económico, adquirindo uma envolvente política que permita transpor para a prática quotidiana o enorme capital humano que se sedimenta num história impar comum, concretizando assim, de modo efectivo, o recorrente discurso político que sublinha os laços fraternos que unem Portugal e o Brasil;

As nossas relações com a Ásia, especialmente com a Índia e o Paquistão, mas também com a China, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e Singapura, têm de ser redimensionadas nos planos político, económico e cultural. No caso da China, que merece uma palavra autónoma, importa aproveitar o estatuto de Macau para privilegiar novos impulsos nos planos económico e cultural;

Também o novo estatuto de Timor independente deve agora permitir focalizar a cooperação noutros moldes, dando prioridade à língua e à segurança. E também manter um permanente diálogo com os Estados da Ásia-Pacífico, nomeadamente a Austrália e a Indonésia, de modo a garantir a consolidação da independência de Timor;

Importa ainda manter um diálogo efectivo e mutuamente proveitoso com os países da margem Sul do Mediterrâneo, sobretudo os que nos estão mais próximos. Não podemos esquecer que Marrocos é um país nosso vizinho, como qual partilhamos uma fronteira marítima (e mesmo que Rabat é a capital mais próxima de Lisboa, e não Madrid, como por vezes erradamente se induz), que a Argélia é uma fonte essencial para o nosso abastecimento energético (a par com a Nigéria) e que a Tunísia é para nós um mercado emergente;

Afigura-se igualmente importante recordar as declarações de Luís Amado relativamente à importância de “abrir” novas embaixadas e postos consulares em países do Médio Oriente, em particular no Dubai, países cujas economias evidenciam valores de crescimento exponenciais.

No âmbito multilateral, em particular das Nações Unidas - em sede de legitimidade do Direito Internacional Público -, importa agir no sentido de que a actual guerra entre Israel e o Hamas não congelo o diálogo entre as duas margens do Mediterrâneo. Nesta matéria, importa dar todos os contributos possíveis para o denominado Processo de Paz para o Médio Oriente, ou, em caso de falência deste outro venha a tomar o seu lugar.

Para um pequeno Estado de matriz universalista, a Política Externa Nacional tem que saber aproveitar o quadro multilateral, em que a força do direito se sobrepõe ai direito da foca, nomeadamente no sistema das Nações Unidas, para projectar os seus interesses e multiplicar a visibilidade das suas posições. Aliás, a participação em missões de manutenção de paz, as candidaturas a lugares nos órgãos de decisão de organismos internacionais e uma maior presença no funcionalismo internacional são tantos outros vectores em que nos podemos continuar a afirmar no plano multilateral, pois dessa afirmação resulta, em boa verdade, a ampliação da imagem de Portugal junto dos nossos parceiros internacionais (na política como estratégia, e a imagem percebida, mais que a imagem real, que é determinante);

Por último, mas não em importância ou prioridade, o combate ao terrorismo internacional. Estamos em crer que, mesmo depois de ultrapassado o atoleiro do Iraque, em que larga medida se insere num combate desregulado ao terrorismo internacional que emergiu do 11 de Setembro, voltarão a vir à superfície tanto os velhos e recorrentes egoísmos nacionais, inerentes ao próprio Estado, enquanto actor principal do sistema internacional. A par, naturalmente, dos pós-modernos actores não estatais, cujo protagonismo originou o actual ambiente não-clausewitziano, de que falam Loureiro dos Santos e Pezerat Correia, entre outros estrategistas, de fundo escatológico, e que escapa ao tratamento polemológico tradicional.

Um olhar interno confirma este diagnóstico. A Segurança tem um valor eminentemente económico e social, como repetidamente afirma Abel Cabral Couto. Ameaças de novo tipo exigem uma articulação cada vez mais estreita entre os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e o da Defesa Nacional, e de ambos com o da Administração Interna, o que não é pequena tarefa para um país onde se diz comummente que os “ministérios não têm janelas” - embora as janelas de oportunidade estejam abertas.

Trata-se, em boa verdade, de uma situação dual e compósita, que soma às ameaças convencionais ameaças e riscos totalmente novos. Ainda ninguém em boa verdade colocou em causa o nosso Triangulo Estratégico, mas há que conferir maior ambição e actualidade às nossas relações com os outros.

O final do século XX deixou-nos um pesado legado, incluindo a obrigação de nos readaptarmos aos novos enquadramentos, de proceder a reajustes, a aperfeiçoamentos. Obriga-nos a que levemos a cabo algum reposicionamento, mas mantendo, na linha da frente das nossas preocupações e objectivos, os interesses nacionais e a redefinição do nosso lugar no mundo que teima em não parar de mudar. Como ensina Armando Marques Guedes, para lá de modas e apetites efémeros, precisamos do nosso lugar na Europa, da nossa relação com a América, de continuar em África. Isso não mudou. O que mudou foi como fazê-lo. As constantes estratégicas mantêm-se, o que se alterou foi o modo de inserção numa conjuntura de contornos inéditos. Tudo isto exige respostas estruturais e estratégico-organizacionais claras, e elas têm de ser novas, orientadas para o reforço da liberdade de acção da comunidade a que pertencemos. Liberdade de acção que, recorde-se, se cristaliza na autonomia nos permita continuar a sermos o que queiramos… até porque sem segurança não existe verdadeira liberdade.

Fernando Montenegro
Auditor de Política Externa Nacional

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Desigualdade e política em Portugal

A igualdade é um problema central na política moderna, operando uma divisão funda entre Esquerda e Direita, como há anos afirmava Bobbio no seu Direita e Esquerda e, no dia 29 de Outubro, observou João Cardoso Rosas no «i». A realização de um grande colóquio internacional sobre igualdade de oportunidades (29-31 Outubro, Biblioteca Nacional, org. Universidade Nova e Universidade do Minho) devolveu ao debate público este tema que, em tempos de crise, deveria ser da maior relevância.

Como dizia Cardoso Rosas, o governo que acaba de entrar em funções incluiu entre os seus objectivos principais a justiça social, o combate às desigualdades. Isto ilustra muito bem algo que é comum a uma política deste género (para o Governo como para o aparelho de Estado em geral e mesmo para organizações sociais muito diversas): o carácter negativo da igualdade. Isto é: não conhecemos a igualdade na sociedade, temos de a realizar. Nem sequer como ideal se deixa definir: mesmo designações específicas, como igualdade de oportunidades, são ferozmente debatidas. E se, hoje, não vemos nem à Esquerda nem à Direita ninguém defender a desigualdade (um triunfo do republicanismo e de uma tradição de socialismo democrático de reformas graduais), nem por isso deixa de ser verdade que os meios de combate à desigualdade usados de um e de outro lado do espectro político diferem. Basta comparar o tom usado no site do Instituto Sá Carneiro do PSD ao falar sobre o tema (declarando-o uma utopia) e um artigo como o de Rosas, focado no combate às desigualdades não só no sentido da promoção de oportunidades iguais mas igualmente (para real eficácia do primeiro aspecto) na redução das desigualdades sociais. Ou seja, não basta garantir direitos iguais e serviços mínimos para todos, é preciso ainda, para que a conflitualidade social não despedace essa rede mínima de solidariedade, haver políticas de coesão social.

A promoção da igualdade é assim, em qualquer das suas várias formas possíveis, uma questão política capital. Tanto mais que, pelo seu carácter forçosamente prático de combate às desigualdades, requer outras formas de acção. A igualdade de oportunidades envolve a diminuição das disparidades sociais em geral e, assim, implica esforços de responsabilização (individual e colectiva), celeridade do sistema de justiça, transparência de procedimentos administrativos, etc. Entre nós, iniciativas de várias Fundações e, mais recentemente, de clubes de discussão política (como A Linha, na área socialista), contribuem para estimular a reflexão sobre tudo isto. Mas persiste ainda o habitual pouco empenho na discussão de igualdade de oportunidades em Portugal.

Carlos Leone
(também publicado no Diário de Notícias, 9/11/09, p. 59)

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

A excitação do momento...

O poder local, a capacidade de auto-governo... No meio da excitação com o sucateiro do momento, que deixa em sossego banqueiros e afins, percebem-se bem as palavras de Medeiros Ferreira. Com efeito, Manuel Alegre já observara como ainda há três semanas não houve nomes no caso dos submarinos e nós lembramo-nos do governo PSD/PP (2002) que quis abafar o caso Moderna com o caso Lusófona e, quando este «não pegou», usou a mesma fonte (alguém se lembra quem foi?) para lançar o caso Casa Pia (a senhora depois foi nomeada para uma comissão «da família» pelo ministro Félix). Mais uma vez (lembram-se?), a «verdadeira Esquerda» logo comenta, aproveitando agora o abuso de nomes não vá isto depois dar em nada...


Contudo, depois de tudo, ou quando mais uma vez não houver condenações, o problema persistirá: a ligação entre cargos autárquicos, empresas municipais e a nova moda das agências (veja-se o paradigma de Cascais), articulando-se depois estas com outras de maior dimensão. Não deveria haver aqui uma revisão das leis de incompatibilidades? Parece que a autarquia, o poder local, que é preciso criar é a de uma decisão política independente do poder económico. Desde logo, não serem as mesmas pessoas, nem das mesmas famílias. Haverá capacidade de fazer isso, haverá gente suficiente neste país? Ou haverá, pelo contrário, «demasiada» gente para o que há a decidir? A nível autárquico e nacional...

A propósito da mudança (o que muda e o que não muda), João Martins Pereira sublinhava: “…é quem quer a mudança que decide a mudança. A Direita muda o que entende convir-lhe, e já vimos o que é, ou aquilo a que se vê politicamente forçada - até ver. As mudanças que a Esquerda propõe ou exige, só a ela cabe decidi-las ou julgá-las. Sendo certo que «só mudará tudo, se não ficar tudo na mesma». Isto é, terão que mudar coisas essenciais.”

sábado, 31 de Outubro de 2009

A Linha no Facebook


A nossa rede no facebook já ultrapassou os 1000 amigos.
Obrigado a todos e esperamos continuar a reforçar este espaço de reflexão e de debate político.
A Linha

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Curiosidades (III)

No meio das repetitivas e inconsequentes notícias sobre o caso da criança "desterrada" para a Rússia por um juiz português, ninguém informa sobre a avaliação do juiz do caso. Ninguém sabe? Não interessa? O sindicato dos juízes não tem opiniões?

Perante o discurso do Presidente da República na tomada de posse do novo Governo, ninguém se pergunta que Presidente é este que afirma ignorar cálculos políticos. O PR não é agente politico, até unipessoal?

No mesmo discurso, soubemos pela boca do próprio PR - e não por fonte alguma - que a sua experiência o faz conhecer bem as dificuldades que um Presidente pode causar a um Governo. Deixando já de parte o tom egocêntrico e de auto-elogio de todo o discurso, impróprio até para uma pré-campanha, não seria motivo para estranhar? Afinal, não foi graças ao Presidente Soares que o executivo minoritário de Cavaco pôde governar e, quando derrubado na Assembleia, obteve em eleições a maioria absoluta? Curiosamente, ninguém estranhou a «referência» a Soares.

Tudo muito curioso. A menos que para os magistrados portugueses, e não apenas para o mais alto magistrado da nação, se aplique o estatuto de «eu não sou ingénuo» que Cavaco, em Setembro, reclamava para si. E para os jornalistas, curiosamente.

P.S.: Enquanto isso, e apesar da hora tardia, parece ainda não ter desaparecido por inteiro a noção de responsabilidade: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1402977

Lista dos secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional

A equipa de secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional, proposta pelo primeiro-ministro ao Presidente da República:

- Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro: José Almeida Ribeiro
- Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação: João Gomes Cravinho
- Secretário de Estado dos Assuntos Europeus: Pedro Lourtie
- Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas: António Braga
- Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento: Emanuel dos Santos
- Secretário de Estado do Tesouro e Finanças: Carlos Costa Pina
- Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais: Sérgio Vasques
- Secretário de Estado da Administração Pública: Gonçalo Castilho
- Secretário de Estado da Juventude e do Desporto: Laurentino Dias
- Secretária de Estado da Modernização Administrativa: Maria Manuel Leitão Marques
- Secretário Estado da Administração Local: José Junqueiro
- Secretária de Estado da Igualdade: Elza Pais
- Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar: Marcos Perestrello
- Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna: José Conde Rodrigues
- Secretária de Estado da Administração Interna: Dalila Araújo
- Secretário de Estado da Protecção Civil: Vasco Franco
- Secretário de Estado da Justiça: João Correia
- Secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária: José Magalhães
- Secretário de Estado Adjunto, da Indústria e do Desenvolvimento: Fernando Medina
- Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor: Fernando Serrasqueiro
- Secretário de Estado do Turismo: Bernardo Trindade
- Secretário de Estado da Energia e da Inovação: Carlos Zorrinho
- Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural: Rui Barreiro
- Secretário de Estado das Pescas e Agricultura: Luís Vieira
- Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações: Paulo Campos
- Secretário de Estado dos Transportes: Carlos Correia da Fonseca
- Secretário de Estado do Ambiente: Humberto Rosa
- Secretária de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades: Fernanda Carmo
- Secretário de Estado da Segurança Social: Pedro Marques
- Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional: Valter Lemos
- Secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação: Idália Moniz
- Secretário de Estado Adjunto e da Saúde: Manuel Pizarro
- Secretário de Estado da Saúde: Óscar Gaspar
- Secretário de Estado Adjunto e da Educação: Alexandre Ventura
- Secretário de Estado da Educação: João Mata
- Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Manuel Heitor
- Secretário de Estado da Cultura: Elísio Summavielle

No total, são 38 os secretários de Estado do XVIII Governo Constitucional, uma vez que na segunda-feira tomou já posse como secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros João Tiago Silveira.

sábado, 24 de Outubro de 2009

Um governo para quatro anos

Como previra há dias o responsável máximo pela Fundação Res Pública, António Vitorino, temos um governo feito de experiência e abertura à sociedade. O significado não pode ser mais claro: pronto a governar quatro anos, capaz de responsabilizar quem o preferir derrubar.

Nas pastas «técnicas», especialistas, sem concessões ao «aparelho»: Agricultura, Ambiente, Obras Públicas. Em áreas sectoriais bem definidas, como a Educação, a Saúde, a Ciência ou a Cultura, um equilíbrio entre os estreantes e a continuidade, sempre com perfis discretos e competentes.

Nas áreas políticas, bem mais do que o «núcleo duro» de que tanto se falou nas últimas semanas, todos têm anos de trabalho político, essencial para o conhecimento mútuo e para o reconhecimento institucional mesmo pelos adversários: a passagem de João Tiago Silveira de porta-voz do PS a porta-voz do Governo simboliza uma funda renovação do PS, que ficará para a História como o real legado de Sócrates, e a passagem de Augusto Santos Silva para a Defesa reconhece a competência e experiência do ex-ministro dos Assuntos Parlamentares. Na esteira de Vitorino, de certo modo. De resto, a estabilidade, mesmo com Vieira da Silva a sair para a Economia (um sinal aos agentes económicos de que a crise não justifica qualquer medida).

Na Justiça, de que depende a sorte de qualquer república, um rosto novo mas não inexperiente. Um bom augúrio. O resto é ruído, da oposição que tanto se queixa de continuidade como de falta de vedetas e das fantasias dos nomes publicados nas últimas semanas.

José Sócrates continuará a reger a política nacional.

Carlos Leone (investigador e docente universitário; Clube de Reflexão Política - A Linha)

(Publicado ontem no DN, sem a referência ao Clube. )

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Lista de ministros do XVIII Governo Constitucional

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
Dr. Luís Filipe Marques Amado

Ministro de Estado e das Finanças
Prof. Doutor Fernando Teixeira dos Santos

Ministro da Presidência
Dr. Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira

Ministro da Defesa Nacional
Prof. Doutor Augusto Santos Silva

Ministro da Administração Interna
Dr. Rui Carlos Pereira

Ministro da Justiça
Dr. Alberto de Sousa Martins

Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento
Dr. José António Fonseca Vieira da Silva

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
Prof. Doutor António Manuel Soares Serrano

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
Prof. Doutor António Augusto da Ascenção Mendonça

Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território
Engª. Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro

Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social
Drª. Maria Helena dos Santos André

Ministra da Saúde
Drª. Ana Maria Teodoro Jorge

Ministra da Educação
Drª. Isabel Alçada (Maria Isabel Girão de Melo Veiga Vilar)

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Prof. Doutor José Mariano Rebelo Pires Gago

Ministra da Cultura
Drª. Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas

Ministro dos Assuntos Parlamentares
Dr. Jorge Lacão Costa

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros
Dr. João Tiago Valente Almeida da Silveira

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

«Pagar os custos de manutenção de moralidade»

«Pagar os custos de manutenção de moralidade»
Expressão feliz de Sottomayor Cardia, que tantas vezes os pagou... E agora que nos olhos de todos está já 2010, vale a pena reclamar a expressão para o Clube A Linha.

Este ano, A Linha reuniu deputados (Arons de Carvalho), governantes (Augusto Santos Silva, Bernardo Trindade), altos quadros (Carlos Zorrinho), antigos governantes (Carlos Monjardino) e actuais responsáveis em organizações internacionais (João Cravinho) com a «sociedade civil» de que tanto se fala, em debates sobre temas tão diversos como a crise financeira, o plano tecnológico, a ecologia e o turismo. Além disso, enquanto clube socialista, foi A Linha a única organização capaz e interessada em organizar um debate entre os responsáveis das três moções propostas para discussão no último Congresso. Pena a desatenção da comunicação social, que reteve só um comentário (truncado, aliás) de Augusto Santos Silva. Mas, no conjunto, nada mau para um clube informal de um partido supostamente sem discussão interna!

E ainda em 2009 contamos reunir-nos de novo, com a presença de outros convidados que são para nós referências no espectro político nacional. Entre outras actividades a que iremos dando destaque aqui.

Na realidade, a manutenção da moralidade significa isto mesmo, fazermos o nosso papel na vida pública. Pode parecer pouco, mas como sabe quem o faz, traz custos. A célebre «ética republicana» é a fórmula consagrada para quem suporta esses custos, pois não indica uma simples adesão a um regime não-monárquico nem se resume ao cumprimento com as normas institucionais. Trata-se de uma ética justamente por se referir a um comportamento cívico que, mesmo não sendo indiferente a equívocos e más vontades, não se deixa deter por tudo isso. A opção do Clube A Linha pelo debate público radica nesta ética, fundamento de qualquer socialismo democrático.

Claro que não se pode ser justo estando só. A vida ética, a preocupação política com a justiça, requer diálogo com quadrantes sociais diversos do nosso. Ao recusar fechar sobre o PS os seus membros, A Linha definiu-se desde cedo pela sua vocação para a abertura. Por isso mesmo não regozijamos com o estado de descontrole interno do actual PSD e do seu grupo parlamentar ou com a permanente competição entre BE e PCP pela liderança da extrema-esquerda, pois ambas as situações prejudicam a sociedade portuguesa e, nela, também o PS. É com frustração que vemos os actores mais conservadores da sociedade portuguesa atacarem Saramago ou insistirem em denegrir o primeiro Ministro com casos que nunca existiram a não ser em campanhas de desinformação; e com incómodo assistimos à leviandade daqueles que, reclamando-se da Esquerda, se prestam a apoiar todos os golpes baixos da Direita. Neste cenário, é cada vez mais necessário que o Clube A Linha continue a tentar cultivar o diálogo interpartidário e, mais ainda, o debate do PS com todos os agentes sociais.

São esses os custos de manutenção da moralidade que contribuímos para pagar. E 2010, ano de centenário da República e de congressos no interior do PS, presta-se bem a revisitar a História do Partido Socialista com os olhos postos em propostas de renovação. A moralidade tem um preço, mas felizmente esse preço é um investimento no futuro.

A Linha

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Mónica Cunha: Procura-se Estabilidade Governativa

O Primeiro-Ministro José Sócrates vai continuar a governar Portugal, com a legitimidade democrática conquistada nas recentes eleições legislativas que deram a vitória ao Partido Socialista.

Depois de indigitado, José Sócrates abriu-se ao diálogo com os partidos políticos – PSD, CDS/PP, BE e PCP – auscultando a sua vontade política para fazer coligações ou acordos parlamentares com o PS. Tendo em conta as recusas tanto da esquerda como da direita, o PS prepara-se para governar sozinho.

José Sócrates vai apresentar ao Presidente da República a composição do futuro Governo minoritário que se espera ser uma equipa competente, coesa e politicamente forte, de forma a não defraudar as legítimas expectativas dos portugueses.

Também se aguarda com expectativa que a oposição assuma com responsabilidade o seu papel, contribuindo para criar as necessárias condições de governabilidade, designadamente viabilizando o Programa de Governo e o Orçamento de Estado para 2010, dois marcos fundamentais para o arranque da nova legislatura e para a desejável estabilidade governativa.

Ao PS cabe honrar o compromisso que assumiu com os portugueses de fazer “Avançar Portugal”, num contexto desfavorável de crise económica e social, através de uma governação responsável, baseada numa verdadeira capacidade de diálogo e negociação.
Juntos vamos conseguir!

Mónica Cunha,
Militante PS Oeiras

Paço de Arcos, 20 de Outubro de 2009